terça-feira, 24 de dezembro de 2019

2019 - Dores, crescimento e autocompaixão

2019 foi um ano difícil pra mim.

Eu vim de uma sobrecarga emocional enorme de 2018, que inclusive dividi aqui. Até 2018 eu me considerava a Mulher Maravilha. Achava que eu sempre ia dar conta, acordava mais cedo, ia dormir mais tarde, aproveitava todos os intervalos. A minha recompensa era realmente dar conta deste tudo tudão que eu julgava tão importante. A minha vida foi por muitos anos uma grande corrida contra o tempo. E eu me sentia útil, importante e especial quando esta conta fechava. Mas de vez em quando a conta não fechava, e eu me punia. Me cobrava. Me considerava incapaz. Doía bastante.

Por muito tempo eu não soube lidar com as falhas. Na realidade eu as rejeitava, fingia que elas não existiam. A minha resiliência me fazia tentar novamente no dia seguinte e por fim, tudo acabava "dando certo". Coloco entre aspas por que uma hora a conta chegava. Sempre chega.

Depois de passar por um grande período de orgulho de mim mesma, das minhas conquistas e de minha trajetória, as coisas ficaram meio insustentáveis, especialmente por que eu insistia em fazer tudo da forma com a qual eu sempre tinha feito, como uma receitinha de bolo.

Enfim, eu comecei a não dar conta. E também aquela correria foi deixando de fazer sentido. Eu mudei o meu ritmo e tudo mudou com isto. Eu passei a gostar cada vez mais do meu tempo sem fazer nada, passei a querer fazer tudo com mais calma, passei a gostar mais da contemplação. Alguns podem pensar que isto foi culpa da cannabis. Nem nego, até que pode ser. Mas o fato é que eu enxerguei valor nos detalhes quando eu passei a desacelerar, a apreciar coisas que na pressa eu nem via e assim, a vida que eu levava passou a fazer cada vez menos sentido.

Bem, chegou a mim uma boa alma, uma das minhas melhores amigas, a princesa com quem eu divido meus giz de cera de colorir a vida e me deu a mão. Me mostrou que eu precisava de ajuda e que eu precisava mudar algumas coisas no caminho. E assim se desenrolou o começo da minha nova forma de ver a vida, com a terapia.

Tudo isto em 2018, e eu levei 2019 inteiro para entender de verdade tudo o que tinha acontecido.

2019 foi um ano de reflexão e resgaste de mim mesma. Um ano dolorido, onde eu me testei, onde eu me perguntei, onde eu me descobri. Mas foi o ano em que eu fui sincera comigo mesma ao extremo, onde eu joguei muita coisa fora, incluindo relacionamentos que já não faziam mais sentido. Um ano de coragem.

Foi o ano em que eu mais exercitei a minha tolerância comigo mesma, até pq, se eu não aceitasse minhas falhas neste ano tão duro, eu não teria conseguido chegar ao fim dele. Foi um ano em que pela primeira vez na minha vida eu quis deixar de viver, e isto é tão difícil de admitir para uma princesa colorida que, ao escrever, eu sinto um misto de orgulho e vergonha pelo meu processo e pela pessoa que eu venho me tornando.

Em 2019 eu tive vontade de esfregar os fatos na cara de um monte de gente. Os fatos políticos também, é óbvio, mas nem é só deles que falo. Tive vontade de mostrar pra um monte de gente o quão hipócrita elas eram, o quão egoístas ou levianas. Mas não fiz nada disto (ou talvez tenha feito bem pouquinho, vai). Eu aprendi com estas experiências e passei a respeitar mais a trajetória e o aprendizado do outro, assim como também a me colocar no lugar dele. Exercitei muito a compaixão e a autocompaixão.

Eu nem teria como negar que eu sucumbi em 2019 e que parte de mim morreu. Mas eu também não teria como negar que eu cresci um bocado, que algo também nasceu. Que eu priorizei a minha saúde mental, que cada dia que passa eu sou mais autêntica, mais verdadeira e mais dona de mim.

Eu finalmente estou encontrando respostas para muitas das minhas dúvidas, mesmo que elas não sejam exatamente as que eu gostaria de ouvir. Relendo meus textos antigos, vejo o quanto o meu processo e o meu progresso fazem sentido. O quanto eu estou nesta caminhada há bastante tempo. Vejo que estou juntando coragem para dar um salto pro qual eu nunca estarei preparada, mas que eu tenho cada dia mais certeza que preciso dar.

Eu tô bem mais sensível em minhas emoções, mas também tô bem mais leve. Eu nunca fui tão eu quanto sou hoje.

Eu espero que 2020 seja um ano de mais "quentinhos no coração". De pertencimento, de amigos, de boas notícias, de solidariedade, de conquistas, de amor. Um ano mais doce, menos desafiador emocionalmente, mais tenro. Eu adoro montanhas russas, mas acho de verdade que chegou a hora de descer e pegar uma Maria Fumaça pra um passeio tranquilo em meio das árvores.

Estou convicta que quero mais saúde e mais paz.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

2018 - Aqui jaz uma velha Cinthia

E 2018 finalmente teve fim!

Caraca, sei que eu sempre faço a retrospectiva do ano priorizando o que houve de bom, as grandes lições, as evoluções sociais e pessoais. E neste ano não será diferente, mas que o ano foi pesado, ah isto foi.

Eu já comecei 2018 meio atrapalhada nas idéias. Investi tempo e dinheiro em pról de voltar para o meu lar doce lar durante boa parte de 2017 e na virada do ano eu já estava aqui, na minha janela favorita, com tudo no lugar e feliz por saber que com esta paz no coração eu poderia finalmente olhar para outros aspectos da vida e permitir que o meu trajeto continuasse.

O que eu não esperava é que já teria tropeço logo cedo. Atipicamente eu decidi, em cima da hora, desmarcar a comemoração do meu aniversário. Quem me conhece sabe o quanto eu priorizo este momento e o quanto eu adoro fazer aniversário. Mas eu percebi naquela época já que as amizades estavam diferentes, que o meu interior não estava em paz, que não era aquilo que eu queria e com muita coragem eu desmarquei tudo, mesmo já tendo até enviado o convite.

Depois disto eu me dediquei quase que completamente ao campeonato do Ícaro. Foram muitos treinos, muita disciplina, muito investimento e muita água. Eu realmente posso dizer que este foi ano molhado! rs E assim caminhei até a metade do ano. Sem propósito pessoal, sem saber direito o que estava se passando dentro de mim e com uma tristeza crescente dentro do peito. Uma tristeza que eu insisti em não olhar.

O campeonato veio, foram muitas alegrias, muito orgulho, muitas emoções. E apesar de ter sido muito engrandecedor estar em uma competição deste nível como treinadora, representando nosso país em um lugar completamente diferente e vendo uma das pessoas que eu mais amo no mundo realizar um grande sonho, ainda assim eu senti um vazio me engolir. Um vazio frio, escuro e completamente estranho.

Foram meses muito difíceis, em que eu tive pouca vontade de ver ou falar com pessoas. Meses onde meus hábitos, meus sonhos, meus desejos foram todos sugados e jogados pelo ralo. A depressão é faceira, e eu, tão colorida e positiva, jamais achei que pudesse sucumbir à algo assim. Por sorte também foram meses onde eu aproveitei o silêncio para ler, para me ouvir e para respirar, descobrindo assim que estas são as ferramentas mais essenciais para que eu (re)encontre a minha paz.

Não posso esquecer que as Eleições Presidenciais tiveram grande contribuição para este meu cenário pessoal. Foram grandes decepções, mas também grandes descobertas. Sobre este assunto, eu vou apenas deixar uma frase que reflete bem quem sou: "Eu não quero acreditar. Eu quero saber"

Neste tempo eu perdi amigos, mas não posso reclamar do apoio que tive dos que permaneceram. Pela primeira vez eu pude testar e ter certeza que uma rede de apoio é o melhor que podemos ter na vida. Regar nossas amizades, cuidar de quem amamos e semear coisas boas, são coisas que eu sempre fiz de graça, pelas minhas próprias convicções do mundo, e que eu nem imaginava que precisaria tanto deste retorno. 

Eu também tive ajuda profissional, e a terapia certamente foi decisiva para encarar com mais seriedade o que eu vinha passando e tratar da maneira certa, com humildade e perseverança.

Tudo isto ainda é refletido hoje. Finalmente olho no espelho e consigo me reconhecer, mas ainda assim, todos os dias surgem coisas diferentes. Não me sinto inteira e nem tenho pressa para me sentir. Mas me sinto mais verdadeira e mais humana do que em todos os demais momentos de minha vida. Em 2018 eu me permiti quebrar tabus, regras, ritos. Eu me permiti ser alguém que eu sempre fui por debaixo dos panos, e alguém que eu nunca nem havia sido. Eu deixei de ser aquela menina tão correta, tão aceita, tão milimétricamente calculada. Eu me sinto uma grande bagunça agora, mas uma bagunça de carne, ossos, lágrimas e risos. Em 2019 só o que eu espero ser infintamente mais livre; correndo, nadando, respirando, viajando e amando (MUITO!).

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Felicidade sem Receita

Eu não sei se isto sempre existiu, ou se este conceito único de felicidade é  coisa moderna. Acho que é. Mas a questão é que eu nunca me encaixei nele. E nem me encaixo agora.

Este conceito que você só pode ser feliz se viajar o mundo. Se for vegetariano ou vegano. Se fizer Yoga. Se dentro de vc houver um espírito livre, good vibes, com um lado que vai largar tudo e sair sem rumo a qualquer momento. 

Que pra ser feliz você tem que ser uma folha em branco para se descobrir em alguma viagem louca numa cultura inexplorada que seus pais não aprovariam. Não sei quando ser feliz se tornou esta ruptura obrigatória de paradigmas. Que ter planos se tornou estar amarrado. Que felicidade genuína passou a ser surpreender-se o tempo todo e não ter expectativas.

Eu sei que a massificação da internet contribuiu muito pra formação deste cenário. Bem como o acesso a viagens, dos lugares mais tradicionais aos mais remotos do planeta. E talvez tudo isto tenha algo de bonito e poético. Algo de criar a si próprio ou mudar o mundo.

Mas o ponto é que não é isto que chamo de felicidade!

Veja bem, eu também quero mudar o mundo. E também quero criar e recriar a mim mesma. E também quero romper paradigmas. Mas eu não estabelecer pra ninguém o que é felicidade, especialmente pq nada pode ser mais pessoal e íntimo do que isto.

Sou rotineira e amo me aprimorar. Sou alguém que não tem preguiça de estudar, de melhorar, de tentar evoluir. Alguém com bastante auto-crítica e alguém pra quem o segredo do sucesso está em seguir um plano e fazer diariamente as mesmas coisas. Alguém que não acredita em bênçãos, milagres, passes de mágica, em boom transformador. Eu acredito em suor, acredito em cair 7 e levantar 8, acredito em respeitar o próximo e acredito em mente quieta e coração tranquilo 💜

Se a felicidade pra você é mundo afora, que você seja feliz mundo afora. Que desbrave, descubra, que viva em paz.

Se a felicidade pra você é se enraizar, lhe desejo que suas raizes lhe ofertem tudo o que for necessário. Que sobre alegria e que viva em paz.

E que todos nós possamos nos recordar sempre que a felicidade é algo pessoal, e que podemos ser qualquer ponto entre as variações acima, ou mesmo fora delas, só não podemos tentar aplicar o que serve a nós para todos os outros. Respeito; vai sempre bem! ☺️🌷

terça-feira, 27 de março de 2018

Free

Como habitual, já não escrevo há tempos. Experienciando a vida, deslizar os dedinhos e transformar minhas reflexões em textoa não é tão simples quanto parece. Mas é arrebatador e valioso, sempre!

Meu aniversário vem chegando e acredito que seja uma excelente oportunidade para colocar esta minha deliciosa tradição em prática.

Eu mudei muito nos últimos tempos. Deixei pra trás uma Cinthia muito vaidosa e com uma necessidade imensa de aceitação, para vivenciar uma vida mais íntima, reservada e com valores distintos. Esta nova vida acontece muito mais dentro de mim, basicamente sem expectadores. Nos últimos meses eu fechei portas e janelas, cuidei de mim de uma forma que eu nem sabia que seria possível. Precisei de uma lesão séria para olhar para o meu corpo e aceitar ele nas mil formas que ele pode ter. Precisei que algo me parasse para que eu pudesse me engrandecer psicológica e emocionalmente. E isto tem valido um bocado. Com esta experiência eu deixei muita coisa para trás; muitos elogios, vários sapatos de salto alto, algumas amizades, performances, maquiagens de rosto e especialmente de alma. Acho que eu nunca havia permanecido tanto tempo desnuda de verdade. Não me orgulho da minha disciplina e nem do meu corpo malhado hoje. Eu me permiti viver a experiência de ser uma pessoa comum; sem muitas metas, sem muita rotina, sem muitas ambições. E isto foi essencial para que eu pudesse me olhar com mais tolerância e paciência. Para que eu tivesse mais afeto por mim mesma. Para que a minha ansiedade não assumisse o comando e que eu pudesse, com calma, ajustar as velas para uma nova etapa.

Verdade verdadeira, eu gosto mais de ser disciplinada, de ser metódica, de ser atleta. Eu gosto mais de fazer tudo correto, de me presentear por metas cumpridas, por sonhos realizados, por alcançar e cumprir os desafios. Mas saber que isto é uma escolha e não uma necessidade é acalentador. Entender que eu posso e mereço ser amada mesmo nas fases mais comuns, me tornou alguém mais suave e muito mais compreensiva, especialmente comigo mesma.

Em dois dias eu completo 31 primaveras. Quando adolescente eu nem imaginava o que era a vida depois dos 30! rs Mas hoje eu sei que ela é dura, bela e especialmente livre, bem como a Cinthia que me sinto hoje.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

2017 - O (meu) Ano da Aceitação

2017 foi um ano daqueles no mundo todo! Poucas vezes vi tanta gente torcendo tanto pro ano acabar, pra situação melhorar, pra vida mudar. De fato, não foi um ano muito bom pro mundo. Uma onda conservadora cada vez mais vigorosa, escândalos e mais escândalos de corrupção no Brasil, lei anti-aborto, quase adeus ao Estado Laico e pela primeira vez na minha vida eu pensei de verdade em ir embora daqui pra não voltar.

Claro que isto tem bastante a ver com o mundo e o que eu vivo dele. Mas também tem muito a ver comigo, dentro de mim.

2017 pessoalmente foi um dos melhores anos de minha vida. Talvez até o melhor. Não que não tenha tropeçado em pedras pelo caminho ou que tenha sido tudo flores; não foi. Mas eu nunca estive tão orgulhosa de mim quanto estou neste ano. Caraca, sem falsa modéstia, este ano eu me tornei um mulherão da porra!

Passei por uma grande crise a respeito de mim mesma, ocasionada por desencontros e falta de maturidade, mas que por fim, foi completamente baseada em medo e insegurança. Sem confiar em mim, entrei num buraco muito fundo, rejeitando a mim mesma, me sentindo, literal e metaforicamente, alguém que não era digna de receber amor, e que não era capaz de se encaixar em nenhum contexto. Justo eu, que sempre me vi como uma princesa. Pra provar que todos são de carne, osso e uma infinidade de sentimentos.

E este foi o estopim da mudança, pq como eu costumo dizer, quando se está no fundo do poço, a única alternativa é subir. Caraca! E não foi fácil. Eu me senti muito solitária. Me senti muito incompreendida. E olhando hoje eu vejo o quanto fui boba e infantil por me sentir assim. Hoje percebo o quanto eu estava cercada de pessoas maravilhosas o tempo todo e que eu nem deveria ter me preocupado; eles jamais deixariam ou deixarão no chão. Amigos; vcs são os melhores do mundo! Cada qual com o seu jeito, cada qual com sua interpretação da vida, cada qual com as suas próprias palavras. Vocês me reergueram e me deram a coragem pra tornar esta queda um verdadeiro passo de dança!

E foi assim que eu decidi, como uma alternativa para um cenário de dor, realizar alguns sonhos. Correr finalmente uma maratona, fazer fotos quebrando tabus e reformar meu apê!

Estas decisões podem parecer a você, caro leitor, algo deveras simples. Mas pra mim, foram divisores de águas. Decidir me tornar uma maratonista me deu uma força que eu desconhecia. Eu vivi muitas lágrimas; de dor, de medo, de cansaço, de alegria. Mas enquanto eu estava ali treinando, eu era a Mulher Maravilha. Eu era capaz de tudo, aguentaria qualquer coisa, eu me sentia imbatível. Minha vida ganhou um propósito mágico, íntimo e engrandecedor. Me tornar uma maratonista me transformou pouco a pouco, quilômetro a quilômetro. E eu só posso agradecer por ter me arriscado nesta jornada e por quem esteve comigo direta ou indiretamente. A emoção vem aos meus olhos ao lembrar daquele momento, e especialmente pensar no quanto eu cresci, mudei e evolui.

Foi neste ano também que eu resolvi tirar a roupa para a lente de uma fotógrafa excepcional, e com as roupas, tirei também vários tabus, receios e inseguranças. Nua eu fui eu mesma, me curti, me aceitei e me afirmei enquanto mulher - para deixar muito claro que ninguém deve lhe determinar o que fazer. Foi muito mais do que uma sessão de fotos, foi um presente pra mulher que eu permiti que desabrochasse dentro de mim. Lindo!

E aí a vida se apresenta, cheia de revés. Logo após está enxurrada de alegrias eu tive uma lesão séria, um vacilo, que me tirou de todo e qualquer esporte por vários meses, que me obrigou a fazer muita fisioterapia, que me fez questionar as minhas ações e as minhas escolhas, que me botou na sarjeta e que por fim me presenteou com uma grande lição; eu sou muito mais que uma corredora; eu sou uma pessoa! Complexa, incompleta, com diversas facetas e que teve que aprender a lidar com um bumbum caído, uma barriguinha saliente, um corpo mais fraco, com a ansiedade de estar 100%, e mesmo assim se aceitar, se cuidar e se amar. Eu aprendi que sou mais do que a minha aparência (apesar de sim, ser muito vaidosa e completamente viciada em endorfina) ou minhas habilidades; eu sou também as minhas falhas, sou as minhas imperfeições, sou uma pessoa comum e me amo ainda mais por isto! Talvez eu nunca tivesse me sentido tão real ao longo destes 30 anos como me sinto hoje.

E para completar, em meio a isto tudo, duras escolhas de abrir mão do sonho da vida a dois para me refazer e me reestruturar. De apostar alto, gastar mais do que eu tinha, me jogar dentro de mim, erguer a cabeça pra coroa não cair, mesmo que a trajetória dali pra frente fosse um pouco mais individual. Um grande pânico de estar fazendo a escolha errada, mas também com os meus apoios vitalícios me guiando, amparando e acalmando.

Por fim eu estou aqui, ainda lesionada, mas muito realizada afetivamente 💖, radiante diante da concretização de tantos sonhos, me aceitando e me amando cada dia mais e feliz por compreender que em 2018 eu pretendo evoluir e mudar muito, mas que eu já gosto bastante de quem mora aqui dentro de mim!

sábado, 14 de outubro de 2017

Especialidade: Colorir

Finalmente eu tomei coragem e vou falar sobre mudanças profundas dentro de mim.

Primeiro cometi um grande erro de não separar um momento para escrever sobre uma das maiores felicidades de minha vida com toda a emoção que esta conquista mereceu. Mas tudo bem, eu sei que eu estava vivendo isto intensamente e vou tentar falar um pouco hoje sobre ter me tornado Maratonista.

Correr uma maratona tem sido um sonho desde que comecei a correr. Aquela meta que temos na cabeça e que vem sempre acompanhada da frase "um dia eu faço". E perto do meu aniversário deste ano eu decidi; o momento havia chegado e eu treinaria para realizar isto.

Foram 4 meses de preparação. Intensos, loucos, doloridos, mas imensamente felizes. Superação certamente é uma palavra que acompanha todos os corredores de longas distâncias. Treinar firme dia após dia, guardar a dor no bolso e especialmente colocar o mundo no mudo para escutar apenas o próprio coração. Estas foram só algumas das inúmeras coisas que a Maratona me ensinou. Eu sou uma nova pessoa depois disto, mas hoje eu não quero falar apenas de maratona, eu quero falar de outro tipo de superação que eu precisei viver nos últimos meses; a superação de não poder ser o seu melhor.

Os que me conhecem sabem o quanto sou uma pessoa empenhada. Diariamente travo batalhas comigo mesma para ser alguém melhor. Mais inteligente, mais reflexiva, mais bondosa, mais disciplinada. Eu amo evoluir, amo aprender. Isto é o que faz meu coração vibrar, isto me motiva e isto faz as minhas cores cintilarem.

O meu drama atual é simplesmente por não conseguir nem tentar isto. Após realizar um dos meus grandes sonhos e correr a minha primeira maratona abaixo de 4 horas, eu comemorei, e muito! E decidi que faria uma maratona abaixo de 3'30''. Eu queria começar ali, naquele momento. Queria pq é mágico encontrar a sua resposta, e saber que a minha estava ali, disponível, para que eu calçasse o tênis e a alcançasse, me fez ferver por dentro. E foi assim que os meses seguintes se tornaram tão duros.

Durante a preparação para a Maratona eu tive uma lesão de glúteo médio, e cuidei dela o máximo que pude, com o auxílio de excelentes profissionais me dando suporte. Deu tudo certo, mas na primeira semana de retorno aos treinos, eu tive uma outra lesão; uma distensão no ísquio-tibial. Provavelmente pelo volume excessivo, sobrecarga diante da lesão anterior, inúmeros motivos que eu conheço bem agora. Não tive um rompimento de fibras, mas uma distensão muito severa que ainda está me fazendo uma desagradável companhia.

Algumas semanas depois, eu cai de cara no chão no corredor de casa. 5 pontos no queixo, uma semana de molho e uma cicatriz para não esquecer. E depois, em virtude dos remédios, uma gastrite. E desde então buscando recuperar o que possuímos de mais precioso; saúde.

Por alguns dias, eu pensei que fosse enlouquecer. Endorfina faz parte de mim, da minha rotina, do meu bem-estar. Me exercitar faz com que eu me sinta capaz, forte física e psicologicamente, me faz uma pessoa melhor. Assim como comer bem, como toda a vida saudável que eu criei para mim. E estar dentro disto, mas ainda assim fora, quase me fez entrar em parafuso.

Mas dentro de mim há uma Cinthia muito cintilante. Que acredita que o mundo é de dentro pra fora e que a vida é da cor que a gente pinta. E foi assim que eu mudei o caminho. Com muitas lágrimas, suor, inteligência e amor. Se eu não podia correr, eu poderia nadar. E se eu não podia treinar com intensidade, eu podia colocar a minha energia em algum outro sonho, como decorar e mobiliar meu pequeno castelo. Se eu não podia gastar meu tempo me tornando melhor no esporte, eu podia ler e aprender, preenchendo este espaço com outras tantas coisas que posso me aperfeiçoar e que também me fazem feliz. 

E hoje, três meses depois de realizar um grande sonho, eu tô aqui, aprendendo a olhar a vida com mais carinho e paciência, agradecendo por ser quem sou e por estar rodeada de pessoas que valem tanto, e feliz por mais uma vez perceber que a vida é da cor que a gente pinta e que sou uma especialista em colorir.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Beauty Surface

Ciente que já perdi a hora da corrida amanhã e que terei que treinar sob sol de rachar, escrevo este post que há tantos dias venho tentando.

No começo ele estava cheio de dor, mas agora, depois de algum tempo e muita reflexão, ele tem bem mais alívio.

Estou em uma fase bem desleixada da vida. Eu pensei em dizer relaxada, mas seria uma visão positiva demais. Adoro estar relaxada e não é bem isto que sinto agora. Estou ainda um pouco tensa, cheia de obrigações que me propus. Mas abandonei algumas e especialmente alguns estigmas que estavam me ferindo demais. Eu, que sempre fui uma insegura-positiva, coloquei energia demais tentando me encaixar em uma ou várias formas que não me cabiam. Em vários conceitos que não diziam respeito a mim. Em uma pauta que eu não era a redatora. Eu fiz isto em muitos momentos da vida, como os amigos mais chegados sabem, mas os últimos tempos foram (bem mais) pesados. Eu tentei ser coisas e pessoas demais, que eu não era, e o único resultado que obtive nesta busca insana foi esmaecer e deixar um pouco de ser eu. Eu, tão colorida e divertida, também tenho um dark side, e este lado sempre tenta agradar, corresponder as expectativas, brilhar arrebatadoramente; tudo para se sentir boa o bastante para receber amor.

Talvez o leitor imagine que sou uma tola; "Amor é de graça Xin! Acorda!". Eu sei. Juro que sei. E eu repito isto pra mim todos os dias. Mas nem sempre é fácil se aceitar. Nem sempre é facil entender que a vida é de fato um cobertor curto e sendo você, com defeitos e qualidades ímpares, você não será o outro.

Hoje me olhei no espelho e tive a certeza que precisava escrever; minha barriga não está definida, estou gordinha pq estou comendo sem pensar muito no plano alimentar. Minha sobrancelha está por fazer, bem como minhas unhas. Não estou depilada, não trouxe belas roupas para a viagem, não tirei nenhuma self no parque esta semana. Não estou me sentindo bonita, e resolvi me permitir isto também; eu não preciso ser bonita o tempo todo. E na realidade, eu não preciso ser nada e nem ninguém. 

Esta é minha grande lição do momento e há algo de muito profundo nisto; há eu mesma, imperfeita, incompleta e verdadeira.

E, dependendo do ponto de vista, isto pode ser bem mais belo =)