sábado, 14 de outubro de 2017

Especialidade: Colorir

Finalmente eu tomei coragem e vou falar sobre mudanças profundas dentro de mim.

Primeiro cometi um grande erro de não separar um momento para escrever sobre uma das maiores felicidades de minha vida com toda a emoção que esta conquista mereceu. Mas tudo bem, eu sei que eu estava vivendo isto intensamente e vou tentar falar um pouco hoje sobre ter me tornado Maratonista.

Correr uma maratona tem sido um sonho desde que comecei a correr. Aquela meta que temos na cabeça e que vem sempre acompanhada da frase "um dia eu faço". E perto do meu aniversário deste ano eu decidi; o momento havia chegado e eu treinaria para realizar isto.

Foram 4 meses de preparação. Intensos, loucos, doloridos, mas imensamente felizes. Superação certamente é uma palavra que acompanha todos os corredores de longas distâncias. Treinar firme dia após dia, guardar a dor no bolso e especialmente colocar o mundo no mudo para escutar apenas o próprio coração. Estas foram só algumas das inúmeras coisas que a Maratona me ensinou. Eu sou uma nova pessoa depois disto, mas hoje eu não quero falar apenas de maratona, eu quero falar de outro tipo de superação que eu precisei viver nos últimos meses; a superação de não poder ser o seu melhor.

Os que me conhecem sabem o quanto sou uma pessoa empenhada. Diariamente travo batalhas comigo mesma para ser alguém melhor. Mais inteligente, mais reflexiva, mais bondosa, mais disciplinada. Eu amo evoluir, amo aprender. Isto é o que faz meu coração vibrar, isto me motiva e isto faz as minhas cores cintilarem.

O meu drama atual é simplesmente por não conseguir nem tentar isto. Após realizar um dos meus grandes sonhos e correr a minha primeira maratona abaixo de 4 horas, eu comemorei, e muito! E decidi que faria uma maratona abaixo de 3'30''. Eu queria começar ali, naquele momento. Queria pq é mágico encontrar a sua resposta, e saber que a minha estava ali, disponível, para que eu calçasse o tênis e a alcançasse, me fez ferver por dentro. E foi assim que os meses seguintes se tornaram tão duros.

Durante a preparação para a Maratona eu tive uma lesão de glúteo médio, e cuidei dela o máximo que pude, com o auxílio de excelentes profissionais me dando suporte. Deu tudo certo, mas na primeira semana de retorno aos treinos, eu tive uma outra lesão; uma distensão no ísquio-tibial. Provavelmente pelo volume excessivo, sobrecarga diante da lesão anterior, inúmeros motivos que eu conheço bem agora. Não tive um rompimento de fibras, mas uma distensão muito severa que ainda está me fazendo uma desagradável companhia.

Algumas semanas depois, eu cai de cara no chão no corredor de casa. 5 pontos no queixo, uma semana de molho e uma cicatriz para não esquecer. E depois, em virtude dos remédios, uma gastrite. E desde então buscando recuperar o que possuímos de mais precioso; saúde.

Por alguns dias, eu pensei que fosse enlouquecer. Endorfina faz parte de mim, da minha rotina, do meu bem-estar. Me exercitar faz com que eu me sinta capaz, forte física e psicologicamente, me faz uma pessoa melhor. Assim como comer bem, como toda a vida saudável que eu criei para mim. E estar dentro disto, mas ainda assim fora, quase me fez entrar em parafuso.

Mas dentro de mim há uma Cinthia muito cintilante. Que acredita que o mundo é de dentro pra fora e que a vida é da cor que a gente pinta. E foi assim que eu mudei o caminho. Com muitas lágrimas, suor, inteligência e amor. Se eu não podia correr, eu poderia nadar. E se eu não podia treinar com intensidade, eu podia colocar a minha energia em algum outro sonho, como decorar e mobiliar meu pequeno castelo. Se eu não podia gastar meu tempo me tornando melhor no esporte, eu podia ler e aprender, preenchendo este espaço com outras tantas coisas que posso me aperfeiçoar e que também me fazem feliz. 

E hoje, três meses depois de realizar um grande sonho, eu tô aqui, aprendendo a olhar a vida com mais carinho e paciência, agradecendo por ser quem sou e por estar rodeada de pessoas que valem tanto, e feliz por mais uma vez perceber que a vida é da cor que a gente pinta e que sou uma especialista em colorir.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Beauty Surface

Ciente que já perdi a hora da corrida amanhã e que terei que treinar sob sol de rachar, escrevo este post que há tantos dias venho tentando.

No começo ele estava cheio de dor, mas agora, depois de algum tempo e muita reflexão, ele tem bem mais alívio.

Estou em uma fase bem desleixada da vida. Eu pensei em dizer relaxada, mas seria uma visão positiva demais. Adoro estar relaxada e não é bem isto que sinto agora. Estou ainda um pouco tensa, cheia de obrigações que me propus. Mas abandonei algumas e especialmente alguns estigmas que estavam me ferindo demais. Eu, que sempre fui uma insegura-positiva, coloquei energia demais tentando me encaixar em uma ou várias formas que não me cabiam. Em vários conceitos que não diziam respeito a mim. Em uma pauta que eu não era a redatora. Eu fiz isto em muitos momentos da vida, como os amigos mais chegados sabem, mas os últimos tempos foram (bem mais) pesados. Eu tentei ser coisas e pessoas demais, que eu não era, e o único resultado que obtive nesta busca insana foi esmaecer e deixar um pouco de ser eu. Eu, tão colorida e divertida, também tenho um dark side, e este lado sempre tenta agradar, corresponder as expectativas, brilhar arrebatadoramente; tudo para se sentir boa o bastante para receber amor.

Talvez o leitor imagine que sou uma tola; "Amor é de graça Xin! Acorda!". Eu sei. Juro que sei. E eu repito isto pra mim todos os dias. Mas nem sempre é fácil se aceitar. Nem sempre é facil entender que a vida é de fato um cobertor curto e sendo você, com defeitos e qualidades ímpares, você não será o outro.

Hoje me olhei no espelho e tive a certeza que precisava escrever; minha barriga não está definida, estou gordinha pq estou comendo sem pensar muito no plano alimentar. Minha sobrancelha está por fazer, bem como minhas unhas. Não estou depilada, não trouxe belas roupas para a viagem, não tirei nenhuma self no parque esta semana. Não estou me sentindo bonita, e resolvi me permitir isto também; eu não preciso ser bonita o tempo todo. E na realidade, eu não preciso ser nada e nem ninguém. 

Esta é minha grande lição do momento e há algo de muito profundo nisto; há eu mesma, imperfeita, incompleta e verdadeira.

E, dependendo do ponto de vista, isto pode ser bem mais belo =)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vida Corrida

Quando você decide começar a correr talvez você ainda não se dê conta da dimensão do mundo no qual você está embarcando. Quando você começa, um par de tênis e muita vontade parecem ser o suficiente. Parece que você não irá precisar de GPS, de acessórios ou lugares específicos. No início, você não tem a menor idéia de que encontrará pelo caminho preguiça, cansaço, lesões ou falta de tempo. E nem imagina que a corrida será como um relacionamento, onde seu grande amor vez ou outra, será entediante, chato e moroso. Quando começa, você não faz idéia que para sustentar esta paixão você terá que abrir mão de muita coisa, e nem imagina que muitos dias você terá que acordar mais cedo do que o sol. Você nem pensa que muitas vezes irá doer, e que de modo geral não será nem um pouco fácil.

Mas quando você escolhe a corrida como esporte você já está ciente disto tudo. Ciente que às vezes terá sol de rachar, que às vezes terá chuva torrencial e que incontáveis vezes haverá vento enrigelante e contra você. Você já sabe que de vez em quando você irá correr de luvas, que em alguns dias viseira nenhuma ajudará suportar o calor, e está preparado por saber que mais dia ou menos dia surgirão assaduras de suor, bolhas nos pés ou cortes de frio. Quando você finalmente escolhe, sabe que haverão muitos momentos em que a cama quente será a sua pior inimiga e também sabe que em alguns outros um copo de água o seu maior sonho. Você tem consciência que muitas festas estarão boas, mas que mesmo assim você terá que dizer tchau bem cedo, com aquele bom e velho discurso de gente chata: amanhã eu tenho treino. 

E você continua. Volta após volta, quilômetro após quilômetro, manhã após manhã.

O que muda de quando você começa a correr até quando você se torna um corredor apaixonado é a escolha. É a certeza de que tudo isto vai acontecer e mesmo assim você quer continuar. E aí percebe que aquele par de tênis e aquela grande vontade continuam sendo as únicas coisas essenciais para que você não pare.

Diariamente eu me pergunto pra que eu corro, e diariamente eu obtenho a mesma resposta: eu não conheço nada que me traga tanto pra dentro de mim. Por que o meu coração bate no rítmo do meu pace e por que a vida faz muito mais sentido quando eu calço meus tênis e corro literalmente atrás dos meus sonhos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Entreabrir

Não sei quando foi que eu me tornei uma chata, mas não acho que eu tenha sido sempre assim. Verdade que eu nunca fui um poço de segurança, com aquela auto-estima que aparentam os lutadores de boxe ou as modelos na passarela. Eu nunca fui a mais engraçada da rodinha, nem a mais descolada, tampouco a mais bonita. Em algumas stiuações eu até fui uma das mais inteligentes,  mas convenhamos que isto não tem um status muito valioso quando somos adolescentes. Enfim! Eu sempre fui uma menina mediana, mas eu era muito espontânea, leve e descontraída. Apesar dos encargos de princesa aos quais eu sempre fui submetida (e não estou reclamando, pois aprendi a apreciá-los!), eu sempre falei um pouco alto, eu como de boca aberta e de vez em quando meio rapido. Eu sou a rainha das gafes e um tiquinho desastrada. Sim, deste jeito moleca e espontânea eu cresci sendo uma princesa atrapalhada, um pouco menina, um pouco arteira e muito Cinthia; eu cresci bem feliz.

Aos poucos a sociedade foi me colocando inúmeros freios e modos, como colocam em todo mundo. Nunca pergunte quanto alguém ganha, nunca aborde temáticas polêmicas, nunca dê risada alto, mesmo que seja muito engracado. Isto veio só quando fui me tornando adulta, aliás, veio mesmo quando me tornei Empregada Pública. Quando eu era professora e dava aula de meias em um trampolim ou num Studio de Pilates, eu podia ser mais levada, mais traquina, fazer mais piada e podia errar bem mais do que posso hoje. Sim, eu não reclamo da mudança de emprego, para mim é claro que este trabalho me aproximou de meus sonhos. Aliás, financiou grande parte deles. E é um tema que eu já abordei bastante sobre especialmente no quesito escolhas e renúnicas.

Entretanto, eu me lembro com saudades da Cinthia menina que eu era; menos pressionada e mais leve. Certamente eu era mais ingênua e ignorante, mas o que me chateia mesmo, e é o assunto principal deste post: quando foi que me tornei uma pessoa fechada?

Nos últimos meses eu percebi o quanto eu me coloquei em uma posição defensiva. Ando me justificando demais, explicando demais, dando satisfação demais. Muito mais do que eu gostaria ou julgo certo. Como se já não fosse duro o bastante ter perdido uma de minhas melhores carcateristicas, a espontaneidade, eu tenho me perguntado pq tenho tentado tanto ser tão correta e perfeita. Pq tenho tentado tanto não somente acertar, mas pq passei a achar tudo o que é diferente tão errado ou ameaçador.

Bem, por sorte, mesmo com todas as mudanças da vida, eu continuo muito questionadora. Eu não aceitei simplesmente ver sair de minha boca comentários tao ortodoxos, tao impregnados de pré-conceitos, tão cheios de moral e bons costumes; eu quis pensar. E depois de uma profunda e bela reflexão, tenho o meu parecer; julgamos e condenamos o diferente não exatamente por discordarmos. Fazemos isto por medo. Medo de o caminho que escolhemos ser diminuído ou menos valoroso. Medo de o que abrimos mão possa vir a ser uma escolha melhor. Medo de quem amamos admirar características que não possúimos. Medo dos padrões sociais flutuantes e das regras do jogo. Medo de nos arrepender do que deixamos para trás.

Bem, eu não quero ser uma pessoa fechada e peço desculpas a quem viu esta terrível Cinthia, assustada e temerosa, julgando e, muitas vezes, condenando o diferente. Era uma Cinthia apenas tentando se proteger do jeito errado. Mas eu continuo aqui, aprendendo com a dor e delícia de ser quem eu sou, e com os caminhos que escolhi. 

Como dizem por aí: "Para os erros há perdão. Para o fracasso, chance. Para amores impossíveis, tempo". E repetindo o que sempre digo: pra quem sabe olhar para trás, nenhuma rua é sem saída. Então abre a porta e janela; eu ainda tenho muito a ver e aprender. Com quem é estranho, com quem é diferente, com todo mundo! :)

terça-feira, 10 de maio de 2016

Holofotes

Numa pegada bem comercial da Under Armour, eu venho falar sobre os bastidores e palcos da vida. Sobre o que fazemos em silêncio para poder estar em evidência. Eu vim falar sobre tantas noites de ensaio brigando com outros bailarinos, falar de tantas manhãs sob chuva ou sol escaldante apenas com tênis nos pés e Garmin no punho, falar de tantas horas extras feitas para financiar sonhos, de tantas comidas deliciosas recusadas em prol de uma vida mais saudável, de tantos potinhos de almoço preparados na véspera para serem comidos frios, de tantas apostilas lidas na silêncio do meu quarto, de tantas noites solitárias buscando caminhos, bolando estratégias, criando meios para alcançar metas que parecem impossíveis.

Ao contrário do que muitos pensam, eu sou uma princesa que já ouviu muitos nãos na vida. Especialmente nãos incrédulos sobre os tantos sonhos que eu supostamente não conseguiria e teria que deixar para trás. E eu devo ter desistido de muitas coisas em virtude destes nãos. Mas felizmente eu cresci sem deixar de sonhar. Eu investi a minha energia, o meu tempo, o meu dinheiro, a minha vontade, o meu conhecimento e especialmente o meu amor tentando fazer a vida ser melhor, tentando fazer a vida dar mais certo. E podem dizer que aos 29 anos é muito cedo para dizer que consegui, mas pra mim não existe dia cinza que não mereça comemoração.

O caminho que eu escolhi é uma peregrinação. Ele não tem pódio, não tem medalha de honra, não tem fim da linha. Ele é uma constante evolução. Uma busca diária. E pode ser que você, caro leitor, considere a minha vida sem graça, por ela ser todo dia "a mesma coisa". Pode ser que pra você não faça sentido algo tão intangível e que você prefira prazeres mais imediatos. Pode ser que para você a minha busca seja um Mito de Sísifo, algo inalcançável que está sempre fadado a decepção ou ao fracasso. Pode ser. Mas depois de muita reflexão, disto eu tenho a minha certeza; ser um pouco melhor dia após dia é um prazer inenarrável.

Verdade que nem tudo são flores. Eu tenho muitas vezes vontade de desistir. De ficar de barriga pra cima, de me acomodar, de sanar minhas dúvidas com respostas escrita por qualquer profeta. De empacotar a vida e de ligar o automático. Mas eu escolho sim tomar a minha pílula vermelha e colorir o mundo real. 

Se o que eu escolho todos os dias vai me levar à algum holofote eu não sei, mas sei que eu não vou deixar de dar o meu melhor.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Tchauí 2015, você foi incrível!

2015 parece que foi arrebatador, e não apenas para mim. 2015 teve eventos que ficarão marcados na história, teve muito escândalo político, teve desastre com impacto ambiental, teve crise econômica, teve gigantes perdas afetivas mas possivelmente foi um dos anos mais felizes de toda a minha vida.

Eu comecei 2015 com baixa expectativa. Tive um fim de 2014 bastante conturbado e além de melancólica, eu também me sentia frágil, exposta e muito machucada. A minha grande lição em 2014 foi a respeito das minhas emoções e aprendi a nunca, em nenhuma hipótese menosprezar a força de um ID. O que somos em primazia e o nosso animal interno tem uma força tremenda, e eu comecei 2015 lutando para administrar os meus desejos imediatistas e os meus sonhos a longo prazo. Eu comecei muito emotiva, como sempre fui, mas bastante focada em racionalizar a vida, o universo e tudo mais.

Bem, apanhei um bocado. Não dá pra competir com a força de uma criança. Ou você educa o seu instinto diariamente ou você sofrerá as mazelas do que é ter o pimpolho mal educado exigindo tudo dentro de você mesmo. E assim, depois de muitas lágrimas e grandes reflexões, fui encontrando o meu ponto de equilíbrio e tendo coragem de abrir mão de muletas que pareciam tão indispensáveis. As pernas ganharam forças para trilhar o caminho sem apoios e sem dependências, e consequentemente ser mais Cinthia do que eu provavelmente fui em todos estes anos. Assim, a pequena jangada velha e furada que sempre fui teve a ousadia de se jogar em mar aberto, e eu agradeço todos os dias por ter tomado esta decisão.

Após algumas arrebentações, um pouco de caos e tempestades, sempre vem a calmaria. E eu juro que eu não poderia nem imaginar que ela seria mais doce do que bolo de chocolate. Talvez só em 2015 eu tenha de fato compreendido que estar ao lado não é pensar igual e nem viver a mesma vida. E pode parecer maluco, mas eu estou muito feliz em dizer que, apesar de ainda aprender diariamente o que é ser eu mesma, é muito engrandecedor ver que me sinto inteira. Uma princesa um tiquinho mais calejada, com o vestido meio amassado e talvez até borralheira, mas igualmente colorida e um pouco mais real. Pra provar que a felicidade vem sim de dentro e que a vida é sim, da cor que a gente pinta.

Sei que pra muita gente deixar pra trás significa ingratidão ou falta de consciência, mas sinceramente, as portas que escolhemos fechar em geral dizem muito mais a respeito de quem queremos nos tornar do que as que escolhemos abrir. Escolher ser diferente é o primeiro passo. Pode ser que este passo não seja firme e que haja milhares de dúvidas no caminho, mas me parece ser o único jeito de desbravar outros trajetos. Um jeito lindo e único.

2015, você foi encantador. E eu encerro este ano mais forte, encarando vôos mais longos e muito mais feliz!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Por uma vida menos Rollercoaster

Há muito (como sempre) eu não deslizo meus dedinhos por aqui. Há muito venho pensando em escrever, mas são tantos temas e reflexões que até eu mesma me perco. Mas como eu costumeiramente digo; este cantinho é meu. Ele não publicidade, nele eu não sou princesa, nele eu desabafo e coloco o que eu sou verdadeiramente. Mais do que uma foto ou uma medalha, eu sou o que eu penso e também o que eu sinto. É até engraçado dizer, mas alguém que lê meu blog pode dizer que me conhece melhor do que alguém que convive comigo diariamente. No dia a dia eu tenho uma casca de trabalho, de aparência e um pouco exibicionista. Aqui eu não quero impressionar ninguém, só quero desabafar e fazer o meu leitor viajar dentro do meu maluco e conturbado mundo =)

Bem, eu tenho vivido um momento muito novo, em que eu pela primeira vez abri mão das certezas e decidi trilhar um caminho próprio e sem bengalas. Como diria a Flávia, uma jangada velha e furada indo pro mar aberto. Mas esta sou eu, por fim, não? Alguém com imperfeicões, cheia de medos, mas tambem cheia de vontade de aprender e ser melhor do que ontem. Abrir mão das minhas certezas (financeiras, afetivas e especialmente psicológicas) me doeu e me dói um bocado. Eu sempre me senti alguém muito sozinha no mundo, sempre me senti deslocada e inadequada e há tempos eu lido com esta situação, visto que ela é um pouco corriqueira; eu tenho uma fachada que (quase) todo mundo aceita e admira e posso ficar aqui dentro da casinha com as minhas viagens cósmicas e fenomenais (dentro de uma lampadazinha! By Gênio do Alladin), com minhas músicas, livros e lágrimas.

Mas ter seus próprios sonhos e próprias metas, particulares, únicas e individuais, é que traz a transformação. E viver o sonho de outra pessoa pode ser belo, mas por fim, não é real. Eu vivi esta experiência dos dois modos, e sei que no fim, nascemos e morremos sós, então por mais bonito que seja não dá para esquecer, nem por um único instante, de que você é indivíduo, e que aquele sonho de princesa regado a existência simbiótica é só sonho, e não tem como ser real. Alguém sempre sai incompleto e machucado.

E é por isto que eu estou aqui, tentando me recordar quem eu sou sozinha. Sem influências e sem bengalas. Tentando me lembrar que meu caminho próprio e as escolhas que eu fiz se baseiam em uma vida simples, saudável e tranquila. Aos olhos de alguns, um pouco sem graça, mas dentro do meu propósito, bem especial. Por menos montanhas russas de sentimentos e por mais paz interior.